Erosão da linha de costa: Um problema preocupante!

Em vista das possíveis conseqüências do Aquecimento Global sugeridas nos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas), a variação do nível relativo dos oceanos é hoje um assunto muito discutido, já que se as previsões desses relatórios (subida de 0,5 m até o fim do século) se confirmarem, as regiões costeiras do Brasil e do mundo sofrerão impactos consideráveis.

Os processos de flutuações verticais do nível do mar ocasionam mudanças do nível de base das ondas e das drenagens continentais, alterando o equilíbrio sedimentar da zona costeira e seus limites. Nos períodos de regressão marinha (diminuição do nível médio do mar), a planície costeira avança e a capacidade de erosão dos rios é reativada, escavando vales fluviais. Os ambientes costeiros deslocam-se para áreas antes ocupadas pelo mar, ampliando a região costeira. Nos períodos transgressivos (elevação do nível médio do mar), feições costeiras como praias, deltas e planícies de maré são destruídas (erodidos), e hoje não se pode excluir a possibilidade de destruição de cidades litorâneas. Somando-se a isto os impactos causados por construções próximas ou dentro do ambiente praial, a erosão da linha de costa pode ser ainda mais intensificada, causando grandes problemas para as regiões costeiras.

Uma maneira teórica de avaliar as conseqüências do aumento do nível do mar é através da Regra de Bruun. Segundo essa regra, o avanço horizontal da água do mar em eventos de subida do nível do mar é cerca de 100 vezes o valor da subida do nível do mar. Por exemplo, se o nível do mar subir 1cm, o avanço da água do mar será de 100cm na horizontal. Essa regra pode ser usada para estimar impactos que a passagem de uma frente fria pode causar sobre a face praial.

A passagem de uma frente fria provoca empilhamento de água na costa com conseqüente aumento do nível do mar. Esse aumento desloca o nível de base das ondas que passam a atuar sobre a área da praia que estava emersa em períodos normais, causando a erosão de feições naturais como dunas e bermas. A areia retirada em eventos de tempestade (frente fria) é então depositada na área imersa da praia, deixando na área emersa um perfil de sedimentos rebaixado.

No caso de praias onde não existem mais feições como dunas e bermas, devido a construções próximas demais da praia, em período de tempestades (frentes frias), a ação das ondas afeta diretamente essas estruturas artificiais, podendo causar sua total destruição. Desta forma, prédios, calçadas, estradas e marinas construídas em áreas impróprias que deveriam estar ocupadas pela areia da praia correm sério risco de serem destruídas pelo mar.

Conhecer detalhes sobre a dinâmica sedimentar da zona costeira e entender como esta se comporta sobre condições adversas de tempo é imprescindível para que a ocupação e construção de empreendimentos em áreas na zona costeira sejam feitas da maneira correta, pois determina o limite pelo qual construções serão ou não afetadas pela ação das ondas, além de estimar o efeito dessas construções na dinâmica costeira.

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